Atenção: o AVC isquêmico pode ter várias causas!
Hoje vamos falar sobre uma causa muito comum de AVC isquêmico: a doença carotídea.
De antemão, quero retomar rapidamente um conceito que trouxe em outras postagens. O AVC isquêmico ocorre quando um vaso que leva sangue a uma parte do cérebro é bloqueado por um coágulo ou trombo, fazendo com que deixe de chegar oxigênio e outros nutrientes.
Várias causas podem levar ao bloqueio do sangue falado acima: doença cardíaca, infecções graves, vasculites, dentre outras. O objetivo, como falei acima, é explicar com muito detalhe uma dessas causas, a doença das artérias carótidas.
Doença das carótidas, responsável por 20% dos AVCs

As artérias carótidas, localizadas no pescoço, são as principais responsáveis por fornecer sangue e oxigênio ao cérebro. Nós temos 2 artérias principais, uma em cada lado do corpo. A carótida direita fornece sangue para o lado direito do cérebro, e o mesmo vale para o lado esquerdo.
Quando as artérias carótidas se estreitam, nós falamos que existe uma doença carotídea. Agora você deve estar se perguntando: como acontece esse estreitamento?
A doença carotídea acontece por um processo chamado aterosclerose
O estreitamento da artéria acontece por causa da aterosclerose. Esse processo nada mais é do que o acúmulo de gordura, cálcio e outras substâncias na parede da artéria.
Faça agora uma comparação: quando um material estranho entra na sua pele, o que acontece? A pele fica avermelhada, inchada, podendo até sair pus. Isso é o que chamamos de inflamação.
Da mesma forma, não é normal acontecer o acúmulo de substâncias na parede da artéria. O corpo então reage a isso e gera uma inflamação na carótida, levando, com o passar do tempo, ao endurecimento deste vaso e seu estreitamento.

O AVC é decorrente da aterosclerose grave e permanente
Como eu comentei acima, a aterosclerose gera o acúmulo de substâncias anormais na parede da artéria, que antes era sadia. Isso faz com que placas (aglomerados) se formem, levando ao seu estreitamento.
Se o estreitamento das artérias carótidas se tornar grave o suficiente para bloquear o fluxo sanguíneo, pode causar um AVC.
Além disso, se um pedaço dessa placa se rompe, pode ganhar a corrente sanguínea e chegar ao cérebro, bloqueando uma artéria e causando também um AVC.
Atenção, porque essas são as duas formas pelas quais uma doença carotídea leva ao AVC.
Quem está sob risco de ter uma doença carotídea?
Os fatores de risco associados à aterosclerose, que comentei acima, são:
Idade avançada;
Sexo masculino;
História familiar (pai ou mãe);
Colesterol alto;
Hipertensão (ou pressão alta);
Diabetes;
Tabagismo;
Obesidade;
Dieta inadequada (por exemplo, excesso de gordura e sal na alimentação);
Sedentarismo.
Isso quer dizer que, se você tem um ou mais desses fatores acima, precisa estar atento para a ocorrência de doença nas carótidas e, consequentemente, de AVC.
Como faço para identificar se minhas carótidas estão doentes?
Além de uma boa história médica e exame clínico detalhado feitos pelo seu médico, os exames para diagnosticar uma doença carotídea precisam visualizar essa artéria. São eles:
Ultrassonografia;
Angiotomografia;
Angiorressonância;
Arteriografia.
É importante eu te informar que, na maioria dos casos, um dos exames acima já pode ser suficiente para o estudo adequado das carótidas. Em casos especiais, pode ser pedido mais de um deles, para complementar a avaliação e oferecer o melhor tratamento.
Mas qual seria o tratamento?
O uso de medicamentos e prevenção dos fatores de risco é a chave para todos que tem a doença
Se você apresenta doença das artérias carótidas, o tratamento clínico é sempre necessário.
Nesse sentido, lançamos mão de alguns medicamentos, como:
Antitrombóticos: sua ação é tornar as plaquetas menos capazes de se unir e formar coágulos. Aspirina e clopidogrel são exemplos de antitrombóticos;
Estatinas: são um grupo de medicamentos que atua na redução do colesterol. Sinvastatina e atorvastatina são exemplos dessa classe;
Antihipertensivos: o controle da pressão arterial é fundamental na doença carotídea. Existem várias classes de antihipertensivos, tendo cada uma sua ação específica.
É importante lembrar a você que é necessário sempre uma avaliação médica para analisar, caso a caso, a possibilidade de uso dos medicamentos acima.
Além disso, o acompanhamento médico regular é fundamental, para acompanhar possíveis efeitos colaterais e, sobretudo, para checar se o tratamento está sendo eficaz ou se precisa ser ajustado.
A mudança no estilo de vida é igualmente importante, e inclui:
Parar de fumar;
Iniciar atividade física regular;
Modificar a dieta, com o objetivo de perder peso e controlar doenças como diabetes e hipertensão;
Reduzir o consumo do álcool.
Por fim, mesmo com um tratamento clínico – que citei acima – bem ajustado, em alguns casos é necessário o tratamento cirúrgico, que pode ser de 2 tipos: por via aberta (chamada endarterectomia) ou por meio de um cateter com passagem de stent.
Em geral, as indicações de abordagem por cirurgia incluem um grau avançado de estreitamento da carótida ou a presença de placas que apresentam um alto risco de se romper e ir para o cérebro.
Agora vem aqui nos comentários e me fala: você já teve AVC? Se sim, chegou a fazer uma avaliação adequada das artérias carótidas?
Não esquece de deixar sua dúvida e de se inscrever aqui para receber no seu e-mail esse conteúdo em primeira mão. Abraço!
Referências:
J Stroke Cerebrovasc Dis. 2017 Jul; 26(7): 1594–1601. doi:10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2017.02.028.
Lancet Glob Health. 2020;8(5):e721-e729. doi: 10.1016/S2214-109X(20)30117-0.
Stroke. 2021;52(7):e364-e467. doi: 10.1161/STR.0000000000000375.
Bom dia Dr tive um AVC e fiquei com secuela tremedeira e dormência e sangramento pelo nariz dor de cabeça Esso não é normal ou é pra quem teve AVC
Tive uma isquemia celebral, cardiologista disse pra procurar um neuro mas ainda não consegui, meu braço direito não para de formiga, o que faço?
Quando faço esforço, sinto um cansaço enorme, fico muito vermelha e sinto fadiga. Será que são sintomas de asteroclerose?
Oi, me chamo Ivani tive um Avc hemorrágico em outubro de 2021 , não fiquei com nenhuma sequela, tenho muito receio de ter outro, gostaria de saber se tem algo que possa fazer para prevenir isso?
Waleska pinto
Tive um Avc esquemico em marco de 2021, depois de ter sofrlido um tropelamento fiz todos os exames, faco atividafes fisicas, fui medicada. Tive um quadro de depressao, ansiedade e ptrauma. Tomo medicamentos tambem para esses problemas. Tengo pressao alta e e ja tomo remedio ha mais de 10 anos. Nao tenho mais sinais de paralsia aparente. Mas tenho uma tremedeira que me deixa muito chateada e triste.